Sistemas de Potência
Sistemas PU (por unidade) e Parâmetros de Linhas de Transmissão
Tempo de leitura do conteúdo estimado em 1 hora e 50 minutos.
Caro(a) estudante, neste material, iniciaremos os estudos relacionados aos sistemas elétricos de potência, conhecidos pela sigla SEP. Esses sistemas são os maiores e mais robustos sistemas inventados pela humanidade. Eles funcionam 24 horas por dia, 7 dias por semana, e 365 dias ao ano de forma ininterrupta, levando a energia, produzida pelas usinas de geração, até os centros de consumo.
Nosso estudo começará pelos valores de unidades, chamadas de pu (sigla para unidade). Trata-se da melhor forma de representar tensões, correntes e potências elevadas, em termos que se referem a valores obtidos através do cálculo efetuado, com os dados do primário ou do secundário, por meio dos transformadores de potência.
Como o sistema tem transformadores elevadores de tensão na geração e, também, abaixadores nas subestações perto dos consumidores, essa metodologia permite que efetuemos diversas mudanças de base ao longo do circuito, sem que a topologia do SEP seja prejudicada.
Posteriormente, abordaremos as linhas de transmissão, com foco no estudo de dois dos seus três parâmetros: a resistência e a indutância. Os parâmetros são utilizados na resolução matemática de problemas envolvendo linhas em SEP. Em adição, temos ainda dois outros parâmetros utilizados, usualmente, na simulação computacional das linhas de transmissão: a capacitância e a condutância. A resistência é a responsável pelas perdas térmicas inerentes ao processo de geração e transmissão de energia. Em contrapartida, a indutância — rede relaciona a tensão induzida pela variação de fluxo, com a taxa de variação da corrente. Em outras palavras, essa rede é responsável por permitir que o processo de geração de energia seja feito na baixa tensão. Em sequência, seu transporte deve ser realizado através da alta tensão e, consequentemente, seu uso ocorrerá na baixa tensão.
Você já estudou sobre os sistemas por unidades — pu? Vamos nos aprofundar no assunto? Robba et al. (2000, p. 106) definem os valores percentuais, também chamados de valores pu, por unidade (lemos a letra “p” e depois a letra “u” — não é habitual ler tudo junto, pronunciando “pu”), como “valores que correspondem a uma mudança de escala das grandezas principais em sistemas elétricos: tensão, corrente, potência e impedância”. Esses valores são usados em SEP, ao invés dos valores reais das tensões, das correntes e das potências, pois esses valores são expressos através de números muito altos, da ordem de k (103) ou M (106) e os valores das impedâncias das linhas são dados em m (10-3).
Logo, para evitar a todo esse cálculo, temos que nos preocupar com o fato de estarmos calculando valores de corrente, ou outra grandeza qualquer, para o lado da alta tensão ou da baixa tensão do transformador ou, ainda, se o transformador é abaixador ou elevador de tensão. Sendo assim, utilizaremos os valores em pu, que são geralmente referenciados como 1,0 ∠ 0º, para a tensão da geração. Por conseguinte, vamos analisar a distribuição da matriz energética brasileira e, por fim, recordar as grandezas utilizadas em sistemas elétricos de potência.
A geração de energia elétrica precisa acontecer perto das fontes geradoras de energia, a exemplo das quedas d’água, da velocidade de vento adequada, da disponibilidade de gás natural ou combustível fóssil, da biomassa etc. Não podemos criar energia apenas transformando uma forma de energia em outra. Essa lei é conhecida como a Lei de Conservação de Energia ou 1ª Lei da Termodinâmica. Na realidade, o sistema elétrico transforma energia de uma fonte mecânica, como a hidráulica, a eólica ou a térmica, em energia de matriz elétrica.
Apesar de termos uma matriz predominantemente hidrelétrica, o ano de 2021, por ter sido o ano com a maior crise hídrica dos últimos 91 anos, foi considerado atípico, porque não teve a predominância dessa matriz na geração de energia como em todos os anos anteriores. O ONS (Operador Nacional do Sistema) teve que acionar a geração térmica com base nas energias não-renováveis — como o petróleo e o carvão, e nas energias renováveis — como a biomassa (bagaço da cana-de-açúcar) para suprir a energia consumida pelos brasileiros. O problema da matriz hidrelétrica é que essa fonte de energia compete com o suprimento de água para irrigação de plantas e consumo animal, além da consumação humana em época de poucas chuvas.
Segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a matriz elétrica brasileira, em 2020, com dados do BEN (Balanço Energético Nacional) é retratada pelo Quadro 1.1.
#PraCegoVer: a imagem apresenta um quadro com os valores da matriz elétrica brasileira de 2020. A matriz hidráulica vem em 1o lugar e corresponde a 65,20%, seguida pelo 2o lugar, ocupado pela biomassa, com 9,10%. Depois, em 3o lugar, a energia eólica, com 8,80%, seguida do 4o lugar, gás natural, com 8,30%, e, posteriormente, no 5o lugar, o carvão e derivados, com 3,10%. A energia nuclear ocupa a 6a posição, com 2,20%, seguida da 7a posição, energia solar, com 1,70%, e, na 8a e última posição, os derivados de petróleo, com 1,60%. O total do quadro é de 100%.
Se o Quadro 1.1 fosse representado através de um gráfico, teríamos a imagem mostrada pela Figura 1.1.
#PraCegoVer: a imagem apresenta o gráfico, em formato de pizza, da matriz elétrica brasileira. Nele, a matriz hidráulica vem em 1o lugar e corresponde a 65%, seguida pelo 2o lugar, ocupado pela biomassa, com 9%. Depois, em 3o lugar, a energia eólica, com 9%, seguida do 4o lugar, gás natural, com 8%, e, no 5o lugar, o carvão e derivados, com 3%. A energia nuclear ocupa a 6a posição, com 2%, seguida da 7a posição, energia solar, com 2%, e, na 8a e última posição, os derivados de petróleo, com 2%. O total é igual a 100%.
Agora que já sabemos como a energia elétrica é gerada, analisaremos, a seguir, como a energia é representada através das grandezas de tensão, de corrente e de potência.
A energia pode ser gerada a partir das fontes hidráulica, termelétrica, eólica e fotovoltaica. Essas fontes e as termelétricas à biomassa são chamadas de fontes renováveis, e as fontes à base de gás natural, nuclear, diesel e carvão são chamadas de fontes não renováveis
As linhas de transmissão conectam as usinas de geração de energia aos consumidores. Na usina e perto da carga, teremos uma subestação de cada lado sempre. As tensões de transmissão são 138, 230, 345, 440, 500 e 750 kV. Além disso, temos duas linhas em CC no Brasil, uma de ∓ 600 kV e outra de ∓ 800 kV.
Há casos em que a rede de distribuição não se conecta à transmissão, havendo linhas de subtransmissão para fornecimento de energia elétrica para os consumidores. As tensões na subtransmissão são: 138, 88, 69 e 34,5 kV.
As tensões de distribuição são de 34,5, 22,5, 13,8 e 11,9 kV. Perto das residências, os transformadores de distribuição abaixam a tensão de 13,8 kV para 380/220 V (dependendo de cada região do país).
#PraCegoVer: o infográfico interativo, intitulado “Geração, Transmissão e Distribuição de Energia”, apresenta quatro botões interativos, com seus respectivos subtítulos, definições e imagens. O primeiro botão interativo, intitulado “Geração”, ao ser clicado, apresenta o texto “A energia pode ser gerada a partir das fontes hidráulica, termelétrica, eólica e fotovoltaica. Essas fontes e as termelétricas à biomassa são chamadas de fontes renováveis, e as fontes à base de gás natural, nuclear, diesel e carvão são chamadas de fontes não renováveis”, sendo a fotografia de uma usina hidroelétrica. O segundo botão interativo, intitulado “Transmissão”, ao ser clicado, apresenta do texto “As linhas de transmissão conectam as usinas de geração de energia aos consumidores. Na usina e perto da carga, teremos uma subestação de cada lado sempre. As tensões de transmissão são 138, 230, 345, 440, 500 e 750 kV. Além disso, há duas linhas em CC no Brasil, uma de ∓ 600 kV e outra de ∓ 800 kV”, sendo a fotografia de três torres de transmissão. O terceiro botão, intitulado “Subtransmissão”, ao ser clicado, apresenta do texto “Há casos em que a rede de distribuição não se conecta à transmissão, havendo linhas de subtransmissão para fornecimento de energia elétrica para os consumidores. As tensões na subtransmissão são: 138, 88, 69 e 34,5 kV”, sendo a ilustração de três postes de energia e suas fiações. O quarto botão interativo, intitulado “Distribuição”, ao ser clicado, apresenta o texto “As tensões de distribuição são de 34,5, 22,5, 13,8 e 11,9 kV. Perto das residências, os transformadores de distribuição abaixam a tensão de 13,8 kV para 380/220 V (dependendo de cada região do país)”, sendo a fotografia de uma loja, com o interior iluminado.
O sistema de geração de energia é trifásico, simétrico e equilibrado, ou seja, as usinas de geração reproduzem energia em tensões, com valores de 13,8 kV (geralmente), além das fases chamadas de A, B e C, defasadas entre si, com 120º graus elétricos — em SEP sempre utilizamos graus e não radianos. Portanto, as tensões são chamadas de 𝓋A, 𝓋B e 𝓋C e são representadas matematicamente por:
𝓋A = EM cos (𝜔 t), 𝓋B = EM cos (𝜔 t - 120º) e 𝓋C = EM cos (𝜔 t + 120º) (Equação 1.1)
Onde:
Graficamente, as tensões podem ser representadas pela Figura 1.2. Quando escrevemos 𝓋A, estamos nos referindo a um valor de tensão que sai do zero, atingindo o seu valor máximo positivo, invertendo o sentido da senoide, passando por zero, atingindo o seu valor máximo negativo, invertendo novamente o seu sentido e voltando ao zero. Essa sequência constitui o ciclo da senoide.
#PraCegoVer: a imagem apresenta as três formas de onda da tensão, estando a tensão 𝓋A representada em azul; a tensão 𝓋B, em vermelho; e a tensão 𝓋C, em verde, porque essa é a ordem com que as senoides assumem o valor 1. Os valores no eixo y variam de 1,0 a - 1,0, e, no eixo x, estão retratados os ângulos de 90º, 180º, 270º e 360º. Assim, podemos ver que cada senoide está defasada em relação à outra, em 120º elétricos.
Quando essas tensões são equilibradas, ou seja, no momento em que possuírem o mesmo valor máximo e forem defasadas entre si, em 120º, dizemos que o sistema é trifásico, simétrico e equilibrado. Quando os valores de pico das tensões são diferentes, dizemos que o sistema está desequilibrado. Por outro lado, quando os ângulos forem diferentes de 0, - 120º e 120º, dizemos que o sistema é assimétrico. Em todos esses casos, o sistema estará desequilibrado. Geralmente, o SEP é simétrico e equilibrado na geração e nas linhas de transmissão, mas as cargas, por serem diferentes entre si, são assimétricas e desequilibradas. A multiplicação fasorial da tensão pela corrente resulta na potência complexa, podendo ser definida como:
S = V * I = \(\left| S \right|\angle \)𝜑 º (Equação 1.2)
Sendo:
S é a potência aparente dada em VA (Volt-Ampère).
V é a tensão fasorial dada em Volts (V).
I é a corrente fasorial dada em Ampères (A).
\(\left| S \right|\) é o módulo ou a amplitude de S dado em VA.
𝜑 é o ângulo, chamado de fi (letra grega minúscula, pronunciada como “fi”).
A. S é a potência aparente dada em VA (Volt-Ampère).
B. V é a tensão fasorial dada em Volts (V).
C. I é a corrente fasorial dada em Ampères (A).
D. \(\left| S \right|\) é o módulo ou a amplitude de S dado em VA.
E. 𝜑 é o ângulo, chamado de fi (letra grega minúscula, pronunciada como “fi”).
O cos 𝜑 é chamado de fator de potência e é uma grandeza adimensional (sem unidade). Quando escrevemos a potência aparente na forma retangular, temos a potência complexa:
S = S cos 𝜑 + j S sen 𝜑 = P + j Q
Onde:
P = S cos 𝜑 e Q = S sen 𝜑 (Equação 1.3)
Sendo:
A unidade, que vem acompanhando da potência, define o tipo de potência que está sendo tratado. Para entendermos melhor as definições de potência, vamos comparar as potências a um copo de chope. O copo – recipiente onde o chope é colocado — seria comparado à potência aparente, a energia gerada pelo SEP, produzida pelas usinas. A parte líquida, em amarelo, assemelha-se à potência ativa — parte efetivamente transformada em trabalho a partir da energia elétrica. Já a espuma, a parte branca do chope, poderia ser equiparada à potência reativa — energia necessária para manter o campo girante das máquinas em funcionamento, presente em toda transformação de energia elétrica em outra forma de energia como, por exemplo, a energia necessária para dar o torque ou a força que o elevador precisa para nos transportar de um andar a outro. Essa associação está retratada na Figura 1.3.
#PraCegoVer: a imagem mostra um copo contendo chope. O copo ou o recipiente representa a potência aparente, o líquido, no caso o chope, em amarelo, representa a potência ativa, e, por conseguinte, a espuma branca representa a potência reativa.
Mas, ao contrário dos(as) proprietários(as) de bares, que geralmente costumam servir os copos de chope com muita espuma, o SEP não pode permitir que a energia elétrica gerada na usina seja desperdiçada. Por esse motivo, a quantidade de espuma, chamada de energia reativa, é regulada. Essa quantidade é definida como o cosseno de 𝜑, grandeza adimensional que, no Brasil, é regulamentada com um valor mínimo igual a 0,92. Como você já percebeu, a potência aparente pode, também, ser representada através de um triângulo retângulo, fazendo uso do Teorema de Pitágoras, conforme ilustrado na Figura 1.4, com as relações entre as potências dadas por:
S = \(\sqrt{{{P}^{2}}~+~{{Q}^{2}}}\)
𝜑 = arc tg \(\left( \frac{cateto~oposto}{cateto~adjacente} \right)\)= arc tg \(\frac{Q}{P}\) (Equação 1.4)
Onde arc é o termo em inglês para arco, mas, nesse caso, o termo é melhor traduzido por ângulo.
#PraCegoVer: a imagem mostra o triângulo das potências a partir da representação de um triângulo retângulo. A hipotenusa é representada pela potência aparente, dada em Volt-Ampère. O cateto adjacente é retratado pela potência ativa, dada em watts, e, finalizando a figura geométrica, o cateto oposto corresponde à potência reativa, dada em volt-ampère reativo. O ângulo é chamado de fi e o cosseno de fi representa o fator de potência, calculado pela divisão da potência ativa (cateto adjacente) e pela potência aparente (hipotenusa).
Com base na potência aparente, os consumidores são separados em grupos e tarifados conforme seu consumo.
Agora que relembramos as grandezas e os conceitos utilizados para definir a potência aparente, a potência ativa e a potência reativa, além do fator de potência, vamos estudar como relacionamos essas grandezas através dos valores.
Os valores pu são definidos por Robba et al. (2000, p. 106) como “uma simples mudança de escala nas grandezas principais (tensão, corrente, potência e impedância)”. Sendo assim, utilizamos as relações entre as grandezas, dadas por:
V = Z * I
S = V * I (Equação 1.5)
A 1ª relação é dada pela Lei de Ohm e escrita na forma de tensão. Consequentemente, a 2ª relação é dada através da definição de potência aparente. Portanto, precisamos somente definir duas grandezas — geralmente escolhemos as grandezas de tensão e potência aparente para podermos calcular as outras duas grandezas em pu. Na equação (1.5), podemos calcular os outros dois valores de bases: da corrente e da impedância. Logo, matematicamente, podemos adotar os valores de tensão de base (V\(_{\text{base}}\)) e de potência aparente de base (S\(_{\text{base}}\)) como sendo iguais a:
V\(_{\text{base}}\) = V\(_1\) e S\(_{\text{base}}\) = S\(_1\) (Equação 1.6)
Deste modo, qualquer tensão pode ser expressa por:
v% = \(\frac{V}{{{V}_{base}}}\)x 100 (v percentual)
v = \(\frac{V}{{{V}_{base}}}\) (v por unidade) (Equação 1.7)
Podemos estender esse raciocínio para a potência aparente. Logo, teremos:
s% = \(\frac{S}{{{S}_{base}}}\)x 100 (s percentual)
s = \(\frac{S}{{{S}_{base}}}\) (s por unidade) (Equação 1.8)
Como a corrente é obtida através da relação de potência aparente, temos:
I\(_{\text{base}}\) = \(\frac{{{S}_{base}}}{{{V}_{base}}}\) (Equação 1.9)
Já a impedância é obtida através da lei de Ohm, onde:
Z\(_{\text{base}}\) = \(\frac{{{V}_{base}}}{{{I}_{base}}}\) = \(\frac{V_{base}^{2}}{{{S}_{base}}}\) (Equação 1.10)
Portanto, para obtermos os valores pu da tensão, da potência aparente, da corrente e da impedância, precisamos somente conhecer dois desses quatro valores. Os outros dois valores calcularemos baseados nas duas grandezas conhecidas. Quando o valor da potência aparente de base não for informado, subentende-se que esse valor seja igual a 100 MVA (valor adotado como padrão em SEP).
O vídeo, feito pelo professor Heverton Augusto Pereira, da Universidade Federal de Viçosa, intitulado “Representação de Equipamentos em Valores por unidade (pu)”, mostra mais sobre as vantagens da conversão dos valores reais para os valores em pu.
Disponível em:
A eletricidade é definida por uma série de propriedades, que a tornam diferente de outros produtos. Além disso, não é suscetível na prática de armazenamento. Em adição, a energia elétrica deve ser gerada e transmitida de acordo com as necessidades de consumo.
GÓMEZ-EXPÓSITO, A.; CONEJO, A. J.; CAÑIZARES, C. Sistemas de energia elétrica: análise e operação. Tradução de Antonio Padilha Feltrin, José Roberto Sanches Mantovani e Rubén Romero. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2015. p. 2-3.
Considerando o excerto acima e o conteúdo estudado, analise as afirmativas a seguir.
I. Segundo a primeira lei da Termodinâmica, podemos criar e transformar uma forma de energia em outra.
II. A energia elétrica é, normalmente, gerada em 138 kV devido aos problemas de isolação, apresentados em geradores com tensões menores.
III. O Sistema Elétrico de Potência, chamado de SEP, utiliza tensões e correntes alternadas (CA).
IV. Os valores pu são uma ferramenta utilizada na modelagem dos transformadores elevadores e abaixadores utilizados em SEP.
Está correto o que foi afirmado em:
Agora que já sabemos calcular os valores de base para tensão, potência, corrente e impedância, vamos aprender a realizar a mudança de base — imprescindível para podermos retirar os transformadores dos circuitos e representá-los através da sua impedância.
Agora, aprofundaremos nossos conhecimentos nas mudanças de base. As máquinas elétricas, como os transformadores de potência e os geradores, sempre apresentam sua impedância, dada em valores pu, no datasheet (folha de dados) dos equipamentos.
À vista disso, podemos utilizar somente os valores de impedância do transformador e realizar uma mudança de base, entre seu lado primário e seu lado secundário, caso seja representado por uma impedância. Sendo assim, conforme o transformador abaixa ou eleva a tensão em um circuito elétrico, podemos mudar o valor de base da tensão. Se os valores de potência de um transformador mudam em relação ao outro, também podemos alterar os valores de potência, fazendo com que o circuito possa ter dois ou três valores de tensão e potência aparente de base, utilizados como referência.
Robba et al. (2000, p. 144) esclarecem que o procedimento para obtermos um valor em uma nova base, “sempre deverá ser determinar através do valor de grandeza, multiplicando seu valor em pu pela base na qual foi dado e, posteriormente, dividindo esse valor pela nova base”.
Deste modo, suponhamos que v, s, i e z, respectivamente, são os valores concernentes à tensão, à potência, à corrente e à impedância, valores dados em pu para uma dada base chamada de Vbase e Sbase. Logo, queremos obter os valores de v1, s1, i1 e z1 dados em uma nova base chamada de Vbase1, Sbase1, Ibase1 e Zbase1.
Para calcularmos a tensão, o valor da tensão v1, na nova base, teremos que realizar a seguinte operação matemática:
v\(_1\) = \(\frac{V}{{{V}_{base1}}}\)= v \(\frac{{{V}_{base}}}{{{V}_{base1}}}\) (Equação 1.11)
Para a potência aparente, o valor da potência aparente s\(_1\), na nova base, será dado por:
s\(_1\) = \(\frac{S}{{{S}_{base1}}}\)= s \(\frac{{{S}_{base}}}{{{V}_{base1}}}\) (Equação 1.12)
Para a corrente, o valor da corrente i\(_1\), na nova base, será dado por:
i\(_1\) = \(\frac{I}{{{I}_{base1}}}\)= i \(\frac{{{S}_{base1}}}{{{V}_{base1}}}\) = i \(\frac{{{V}_{base1}}}{{{V}_{base}}}\) \(\frac{{{S}_{base}}}{{{S}_{base1}}}\) (Equação 1.13)
Para a impedância, teremos:
z\(_1\) = \(\frac{Z}{{{Z}_{base1}}}\)= z \(\frac{{{\left( {{V}_{base}} \right)}^{2}}}{{{S}_{base}}}\frac{{{S}_{base1}}}{{{\left( {{V}_{base1}} \right)}^{2}}}\)= z \(\frac{{{S}_{base1}}}{{{S}_{base}}}{{\left( \frac{{{V}_{base}}}{{{V}_{base1}}} \right)}^{2}}\) (Equação 1.14)
A título de exemplificação, estudaremos um exemplo a seguir, visando facilitar o nosso entendimento sobre essa teoria.
Exemplo 1.1: no circuito da figura a seguir, devemos determinar a tensão gerada pelo gerador, entregue ao primário do transformador T\(_1\) no ponto A’. Os valores dados são:
#PraCegoVer: a imagem mostra um transformador, chamado de T\(_1\). Entre os pontos, chamados de A’ e A, há uma linha de transmissão entre os pontos A e B, um transformador chamado de T\(_2\). Entre os pontos B e C, há uma linha de transmissão entre os pontos C e D. O ponto D está conectado a uma carga, representado na figura por uma seta.
Com base nas informações fornecidas acima, calculemos a tensão gerada pelo gerador, entregue ao primário do transformador T\(_1\) no ponto A’.
As bases iniciais adotadas para a resolução desse exercício são: a potência aparente e a tensão, dadas para a carga:
S\(_b\) = 37,5 MVA e V\(_b\) = 30 kV
No primário do transformador 2 teremos:
S\(_{b1}\) = S\(_b\) = 37,5 MVA e V\(_{b1}\) = 30 \(\frac{130}{34,5}\)= 113,05 kV
E, no primário do transformador 1, teremos:
S\(_{b2}\) = S\(_{b1}\) = 37,5 MVA e V\(_{b2}\) = 113,05 \(\frac{13,8}{138}\)= 11,3 kV
O circuito equivalente do sistema é representado na figura a seguir. Em cada trecho do circuito, foram indicados os valores das bases das tensões e da potência aparente.
#PraCegoVer: a imagem mostra o circuito da figura apresentada, anteriormente, no enunciado de forma explodida. Desse modo, o transformador T\(_1\) utiliza as bases S\(_b\) = 37,5 MVA e V\(_b\) = 11,3 kV. A relação desse transformador, agora, é a de um transformador ideal, dado por 1:1. A impedância da linha, chamada de Z\(_{AB}\), utiliza as bases S\(_b\) = 37,5 MVA e V\(_b\) = 113,05 kV. O transformador T\(_2\) também utiliza essas bases. Já a linha Z\(_{CD}\) utiliza as bases 37,5 MVA e V\(_b\) = 30 kV. A relação do transformador T\(_2\) também é ideal e igual a 1:1. Assim, o circuito pode ser escrito a partir de um circuito série.
Como a relação de transformação dos transformadores T\(_1\) e T\(_2\), agora ideal e igual a 1:1, podem ser omitidos, resultando no circuito representado pela figura a seguir.
#PraCegoVer: a imagem mostra o circuito em série, depois de referenciarmos todos os equipamentos em valores de base, ou seja, z\(_1\), z\(_{AB}\), z\(_2\), z\(_{CD}\) e Z\(_c\) (carga). Como esse circuito está em série, podemos calcular a impedância total a partir da soma das impedâncias individuais.
Esse é um circuito em série, logo, pode ser resolvido através da obtenção da impedância total, ou seja, utilizando a lei de Ohm e a Lei de Kirchhoff para a tensão.
Portanto, para obtermos o valor de z\(_1\) precisamos encontrar o valor da impedância de base e transformar a impedância do transformador T\(_1\) que é igual a Z\(_1\) = (0,06 + j 0,125) Ohms, em valores pu.
Z\(_1\) = (0,06 + j 0,125) \(\frac{{{13,8}^{2}}}{60}\)
A impedância, escrita na base adotada pelo primário de T\(_1\), será igual a:
z\(_1\) = (0,06 + j 0,125) \(\frac{{{13,8}^{2}}}{60}\frac{37,5}{{{11,3}^{2}}}\)= (0,0552 + j 0,1150) pu
Agora, vamos referenciar a impedância da linha A - B.
z\(_{AB}\) = (13,3 + j 53,5) \(\frac{37,5}{{{113,05}^{2}}}\)= (0,0390 + j 0,1570) pu
Todavia, para obtermos o valor de z\(_2\), precisamos encontrar o valor da impedância de base e transformar a impedância do transformador T\(_2\), que é igual a Z\(_2\) = (0,06 + j 0,125) Ohms, em valores pu.
Z\(_2\) = (0,06 + j 0,125) \(_\frac{{{13,8}^{2}}}{60}\)
A impedância escrita, na base do lado do primário do T\(_2\), será igual a:
z\(_2\) = (0,06 + j 0,125) \(\frac{{{130}^{2}}}{50}\frac{37,5}{{{113,05}^{2}}}\)= (0,0595 + j 0,1240) pu
Agora, vamos referenciar a impedância da linha C - D.
z\(_{CD}\) = (3,3 + j 8,75) \(\frac{37,5}{{{30}^{2}}}\)= (0,1375 + j 0,3646) pu
O cos 𝜑 = 0,87 indutivo resulta em um ângulo igual a
𝜑 = 29,5414º. Como a potência na base é igual a Sb = 30 MVA \(\angle \) 0 º pu, logo:
s = \(\frac{S}{{{S}_{base}}}\)= \(\frac{30~\angle ~0{}^\text{o}~}{30}\) = 1 \(\angle \) 0º pu
A tensão será adotada como:
V = 30 \(\angle \) 0 º kV
v = \(\frac{30~~\angle 0~{}^\text{o}}{30}\)= 1 \(\angle \) 0 º pu
Agora, podemos calcular a corrente.
I = \(\frac{S}{V}\) = \(\frac{1~\angle ~0{}^\text{o}}{1~\angle ~0~{}^\text{o}}\)= 1 \(\angle ~0\)º pu
Como esse circuito está ligado em série, a corrente é a mesma para todos os elementos do circuito. Sendo assim, só precisamos converter o valor da impedância da carga para podermos calcular o valor da resistência total.
Z\(_C\) = \(\frac{V}{I}\)= \(\frac{1~\angle ~~29,5414{}^\text{o}~}{1\angle ~0{}^\text{o}}\) = (0,87 + j 0,4931) pu
Se somarmos as impedâncias dos transformadores e das linhas A - B e C - D, teremos o valor da impedância sem a carga, dada por:
Z\(_{\text{total sem carga}}\) = z\(_1\) + z\(_{AB}\) + z\(_2\) + z\(_{CD}\) = (0,0552 + j 0,1150) + (0,0390 + j 0,1570) + (0,0595 + j 0,1240) + (0,1375 + j 0,3646) = (0,2912 + j 0,7606) pu
A tensão no gerador, conectado ao trafo de 13,8 kV, será dada por:
V\(_{\text{gerador}}\) = v1 + z\(_{\text{total sem carga}}\) * i = (1 \(\angle \) 29,5414 º) + (0,2912 + j 0,7606) (1 \(\angle \) 0 º) = 1,7088 \(\angle \) 47,1916 º pu
Voltando ao valor da tensão na base, ao lado do transformador T\(_1\), teremos:
V\(_{\text{Gerador}}\) = (1,7088 \(\angle \) \(47,1916{}^\text{º}\)) x 11,3 = 19,3092 \(\angle \) \(47,1916\)º kV
Se este exercício fosse resolvido sem as mudanças de base, os transformadores T\(_1\) e T\(_2\) precisariam ter suas correntes referenciadas, assim como seus polos.
Todos os equipamentos de sistemas elétricos, como geradores, transformadores ou linhas de transmissão têm uma tensão nominal V\(_{\text{nominal}}\), na qual um elemento é projetado para ser operado com base em seu isolamento ou para evitar saturação magnética na frequência de operação, dependendo de qual desses seja o fator mais limitante. Os parâmetros de um equipamento são especificados “por unidade”, como uma fração dos valores apropriados.
MOHAN, N. Sistemas elétricos de potência: curso introdutório. Tradução de Walter Denis Cruz Sanchez. Rio de Janeiro: LTC, 2016. p. 20. (Disponível na Minha Biblioteca).
Com base no excerto de texto acima e nos conhecimentos adquiridos nesta unidade, assinale a alternativa correta:
Agora, vamos estudar a resistência. O valor da resistência é obtido através da divisão do valor da tensão (V) pela corrente que circula no cabo (I), ou seja:
R = \(\frac{V}{I}\) (Equação 1.15)
Onde:
A constante de proporcionalidade é o valor do resistor. Os resistores dissipam a energia elétrica na forma de calor e não modificam a forma de onda da tensão em relação à corrente. Por outro lado, a resistência elétrica é determinada pela facilidade que o material, neste caso chamado de condutor, tem para conduzir a corrente elétrica (o material apresentará uma baixa resistência à passagem da corrente).
Além disso, a potência é transportada em altas tensões para podermos diminuir as perdas ôhmicas causadas pelo efeito Joule. A potência é dada pelo produto da tensão e pela corrente, P = V x I. Já as perdas ôhmicas são calculadas por:
P\(_{\text{perdas}}\) = R. I² (Equação 1.16)
Nesse caso, a resistência é multiplicada pela corrente elevada ao quadrado. Logo, quanto maior for a tensão, menor será a corrente e, consequentemente, menores serão as perdas ôhmicas. Como P é constante, se aumentarmos a tensão, diminuímos a corrente.
Essa resistência é, muitas vezes, chamada de resistência em CC, pois consideramos que a distribuição de corrente no condutor seja uniforme, como ocorre nas correntes contínuas. Dessa forma, podemos obter a resistência em CC também pela fórmula:
R\(_{CC}\) = \(\frac{\rho ~x~l}{S}\) (Equação 1.17)
Sendo que:
A resistividade padronizada para um condutor é o cobre recozido. Dessa maneira, para outros processos metalúrgicos, podemos estabelecer uma correspondência entre suas resistividades — cobre e alumínio, que são padronizados conforme os exemplos a seguir.
No processo de encordoamento, os fios descrevem uma trajetória helicoidal em torno do centro do condutor. Levando-se em conta, ainda, que os cabos sofrem uma deformação provocada pelo seu peso, o comprimento real é um pouco maior que a extensão da linha. A resistência em CC de condutores encordoados é maior do que o valor computado pela equação (1.17), pois o encordoamento helicoidal das camadas torna os condutores mais longos do que o próprio cabo. Para cada quilômetro de cabo, a corrente em todas as camadas, exceto a central, percorre mais de um quilômetro de condutor. Estima-se em 1% o aumento da resistência, devido ao encordoamento em cabos de três fios, e em 2% para cabos com fios concêntricos. A Figura 1.5 ilustra a flecha formada pelas linhas de transmissão.
#PraCegoVer: a imagem apresenta a flecha formada pelas linhas de transmissão, que nada mais é do que uma barriga que se forma, em vez de uma reta. Essa barriga surge em razão do peso do cabo. Esse arco começa em um ponto alto, chamado de A, e decai para o ponto mais baixo, chamado de O; por conseguinte, volta para o ponto B, que está no mesmo nível de A. A flecha, chamada de f, é formada pela diferença de altura entre os pontos “A e O”.
Quando uma CC percorre o condutor, a resistência tem uma variação linear com a temperatura. Essa variação assemelha-se a uma reta, logo, é chamada de linear. Um método muito utilizado, na prática, para podermos corrigir a variação de temperatura com o valor da resistência fornecido nos datasheets (folha de dados dos equipamentos) é obtido através da fórmula:
\(\frac{{{R}_{2}}}{{{R}_{1}}}\)= \(\frac{T~+~{{t}_{2}}}{T~+~{{t}_{1}}}\) (Equação 1.18)
Onde:
O gráfico, representado pela equação (1.18), pode ser visto na Figura 1.6, que mostrará a resistência do cobre recozido, variando conforme a temperatura.
#PraCegoVer: a imagem apresenta o gráfico com o eixo x, mostrando a temperatura em ºC; o eixo y, por sua vez, representa a resistência do cobre. Para valores acima do zero absoluto, é dada a temperatura de 273,15 ºC, passando pelo zero absoluto inferido, com valores até - 234,5 ºC. Essa resistência possui um comportamento não linear, formado por um pequeno arco. Para valores acima de 0 ºC até o valor de T\(_2\), passando por T\(_1\), essa resistência possui um comportamento linear. Em T\(_1\), o valor da resistência é R1, e, em T\(_2\), a resistência assume o valor de R\(_2\). Entre os valores de R\(_1\) e R\(_2\), obtemos a relação dada pela equação 1.18.
Quando o condutor está submetido a uma CC, a distribuição da corrente será uniforme por todo o cabo. Em contrapartida, na corrente alternada (CA), a distribuição será concentrada nas extremidades. Com base nessa afirmativa, conclui-se que a corrente provoca uma densidade não uniforme e, à medida que a sua frequência aumenta, acentua-se a não uniformidade da distribuição em corrente alternada. Esse fenômeno é chamado de efeito pelicular.
Os fabricantes dos cabos, utilizados em linhas de transmissão, fornecem uma folha de dados (datasheet) com todas as informações dos cabos em seus sites.
Um cabo muito utilizado em linhas de transmissão, no Brasil, é o cabo Marigold, fabricado pela Nexans. Infelizmente, a maioria dos catálogos não está traduzida para a Língua Portuguesa. Sendo assim, precisamos ler os termos em língua Inglesa. As características elétricas (electrical characteristics) são:
Para acessar a folha de dados, chamada de datasheet, acesse o endereço eletrônico a seguir.
Disponível em: https://www.nexans.com.br/.rest/catalog/v1/product/pdf/ID599079
Agora, vamos fazer um exercício de fixação, colocando a equação (1.18) em prática.
Exemplo 1.2: Pelas tabelas de características elétricas de condutores encordoados de alumínio puro, um condutor de 565,65 mm² e de 61 fios tem resistência CC a 20 ºC de 0,049 Ω por km e resistência CA a 75 ºC de 0,068 Ω /km.
Calcule o valor da resistência CC a 75º C e determine a relação entre as resistências CA e CC. Os valores dos condutores são fictícios.
Para 20 ºC, temos que considerar um aumento de 2%, por causa do encordoamento. Logo, temos:
R\(_0\) = 0,049 x 1,02 = 0,0491 Ω /km
Agora, podemos calcular o valor da resistência a 75 ºC através da equação (1.18).
\(\frac{{{R}_{2}}}{{{R}_{1}}}= \frac{T~+~{{t}_{2}}}{T~+~{{t}_{1}}}\). Logo, R\(_0\) = 0,00491 \(\frac{228~+~75}{228~+~20}\) = 0,0600 Ω por km
\(\frac{{{R}_{CA}}}{{{R}_{CC}}}\) = \(\frac{0,068}{0,0600}\) = 1,1333.
Logo: 1,1333 - 1 = 0,1333 x 100% = 13,33%
Uma preocupação básica na seleção de um condutor, após a definição do material a ser utilizado, cobre ou alumínio, é a área da seção transversal, que está associada ao volume do material a ser utilizado e, por consequência, ao custo da linha de transmissão. Os aspectos do custo são chamados de seleção do condutor econômico. Ao alterarmos o diâmetro do condutor, modificamos a densidade da corrente e, consequentemente, reduzimos as perdas.
Como o alumínio tem uma condutividade menor em relação ao cobre, será necessária uma quantidade maior de material para conduzir a mesma corrente. Esse fato é compensatório devido ao preço do alumínio, menor que o preço do cobre. Mesmo assim, o seu custo de fixação, ou seja, o custo para instalação dos cabos nas torres de transmissão é menor devido a sua resistência. Em outras palavras, a tração será melhor, caso seja feito o uso do cobre.
O custo de uma linha fabricada, a partir do alumínio, é aproximadamente um quarto (¼) do que seria se essa mesma linha fosse construída em cobre. Toda linha de transmissão possui uma faixa de segurança, uma distância mínima que deve ser respeitada, para que as pessoas não sejam afetadas pelos efeitos eletromagnéticos.
O artigo intitulado Panorama Internacional das Políticas de Inovação do Setor Elétrico estuda a incorporação de novas tecnologias e materiais na rede elétrica dos SEP. Essas tecnologias são provenientes da automação, da descoberta de novos materiais e, também, da possibilidade do próprio consumidor em gerar a sua energia e vender o excedente para a rede, o que pode causar uma revolução no setor nos próximos anos. A Austrália, por exemplo, estima que até 45% da energia consumida pelo país, em 2050, será oriunda dos consumidores, que gerarão a sua energia através das placas fotovoltaicas. O impacto dessa modalidade de geração de energia e os novos materiais, necessários para a transmissão, revolucionará o setor. Depois de ler este artigo, reflita sobre como o uso das tecnologias pode beneficiar o SEP brasileiro.
Disponível em: https://bit.ly/3E11ylS
Fonte: Castro et al. (2019, p. 5-6).
A partir de uma certa distância — de 600 km a 800 km aproximadamente — a transmissão em CC é mais barata, em comparação com a transmissão por CA, conforme é mostrado no gráfico da Figura 1.7.
#PraCegoVer: a imagem apresenta um gráfico com o eixo x, representado pela distância, e o eixo y, retratado pelo custo. Nesse gráfico, é mostrado o custo de uma linha em CC, que começa maior do que o custo da mesma linha em CA. Como os coeficientes de crescimento dos custos, em forma de retas, são diferentes, eles se conectam no ponto de igualdade, e, a partir desse ponto, o custo da linha CC torna-se menor do que o da linha em CA.
A figura anterior mostra uma comparação entre o custo de uma linha em corrente alternada versus uma linha em corrente contínua. Uma linha em CC é formada somente por dois condutores (um positivo e o outro negativo – geralmente em torres separadas), sendo que, na falta de um lado, a terra pode ser usada como retorno. Já as linhas em CA necessitam de, no mínimo, três cabos – um para cada fase.
Para o correto dimensionamento das linhas de transmissão, é necessário analisarmos os aspectos elétricos concernentes ao cálculo dos parâmetros de uma linha de transmissão, correspondente às características elétricas, às dimensões e ao espaçamento dos condutores. Uma dessas características fundamentais é a resistência elétrica.
ZANETTA, J.; LUIZ, C. Fundamentos de sistemas elétricos de potência. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2005. p. 4.
Considerando o excerto acima e o conteúdo estudado, analise as afirmativas a seguir.
I. Pelas tabelas de características elétricas de condutores encordoados de alumínio nú com alma de aço, um condutor de 156,86 mm² e relação de 26/7 fios de alumínio/aço tem resistência CC, a 20 ºC, de 0,2248 Ω por km e resistência CA, a 75 ºC, de 0,3885 Ω por km. Logo, o aumento da resistência com a temperatura é de 0,00553 Ω por km nesta situação.
II. O encordoamento dos cabos é quando um cabo é constituído por vários outros fios. Este processo é utilizado para evitar as perdas provocadas pelo efeito pelicular.
III. A resistividade do alumínio é menor do que a do cobre, o que explica seu uso intensivo em linhas de transmissão de energia elétrica.
IV. A relação entre a resistência CA e a resistência CC do cabo é igual a 1,3870. Portanto, a resistência CC sofre um aumento de 38,70% em relação à resistência CA.
Está correto o que se afirma em:
Agora, vamos estudar a indutância. Podemos resumir, de uma maneira bem simples, os principais parâmetros de uma linha de transmissão, além de suas linhas — modeladas através dos resistores, dos indutores e dos capacitores.
O resistor é o responsável por fornecer calor a partir de uma fonte elétrica;
O indutor é o responsável por produzir o trabalho, ou seja, podemos considerá-lo como o “funcionário ideal”. Basta solicitar que ele irá realizar o trabalho.
O indutor está diretamente envolvido com o campo magnético. A unidade responsável pelo indutor é nomeada Henry (representado pela letra H). Esse componente altera a relação entre a corrente e a tensão, atrasando a corrente 90º em relação à tensão. Na Figura 1.8, podemos ver essa relação graficamente.
#PraCegoVer: a imagem apresenta os gráficos em formas de onda de tensão e de corrente em um indutor. Podemos verificar que o indutor atrasa a corrente 90º em relação à tensão. No eixo x, temos o tempo, e, no eixo y, os valores de tensão e corrente em pu. No caso da tensão, começa em 0, e, no caso da corrente, começa em 1, ou seja, os valores estão defasados entre si em 90º. Os demais valores do eixo y são: 1, 0,5 e 0. Na parte negativa: 0; -0,5 e -1. O gráfico mostra duas senoides, uma em roxo, para a tensão, e outra em azul, para a corrente, defasadas entre si em 90º.
Vale ressaltar que os indutores são sempre representados por sua reatância indutiva, dada por:
X\(_L\) = 2 𝜋 f L (Equação 1.19)
Sendo f a frequência do sistema (Hz) e L o valor do indutor (H). A reatância será sempre dada em Ohm (Ω).
As linhas de transmissão são formadas por cabos singelos ou múltiplos, fabricados a partir do cobre, do alumínio ou de ligas de alumínio. Esses elementos são encarregados de transportar a energia elétrica das usinas de geração até os centros de consumo. As linhas funcionam como as ruas de uma cidade, algumas são mais largas e comportam mais carros, como as avenidas, outras são mais estreitas, como as ruas de mão única. Da mesma forma que se formam congestionamentos nas cidades, uma linha de transmissão pode ficar congestionada, ou seja, poderá não conseguir transportar mais energia caso chegue ao seu limite de potência ou ao seu limite térmico.
A impedância da linha é um dos parâmetros que devemos considerar no cálculo da capacidade da linha ao transmitir potência e, consequentemente, será utilizado na definição de tensão da operação. A indutância depende do comprimento da linha: quanto mais longas as linhas, maiores serão suas indutâncias.
O indutor é o responsável pelo armazenamento da energia em um campo magnético. Quando a corrente em um circuito sofre uma variação, o fluxo magnético, que envolve este circuito, também varia e gera uma força eletromotriz induzida — que exerce uma função proporcional à força e possui relação direta com a taxa de variação da corrente em relação ao tempo. A essa constante proporcionalidade damos o nome de indutância do circuito. A indutância é dada por:
v (t) = L \(\frac{di~\left( t \right)}{dt}\) (Equação 1.20)
Onde L é a indutância dada em Henry (o símbolo é a letra H).
Todos os equipamentos responsáveis pela realização do trabalho, a partir da energia elétrica, além de não possuírem como característica principal a produção de calor, como os resistores, são constituídos por indutores. Os motores, os geradores e os transformadores são constituídos por indutores. Se estivéssemos considerando uma bobina, também chamada de solenoide, a maior parte do fluxo produzido enlaçaria mais de uma espira, como pode ser visto na Figura 1.9.
#PraCegoVer: a imagem apresenta o fluxo magnético, representado pela letra B, produzido por uma corrente I, percorrendo um indutor L. O indutor assemelha-se a uma mola feita de cobre. As linhas do fluxo magnético seguem o sentido do fluxo da corrente e são dadas pela regra da mão direita, ou seja, elas nascem no final do indutor e seguem em direção ao seu começo.
A equação (1.19) nos mostra que a indutância ocorre em função da frequência, já que = 𝜔 = 2 𝜋 f. No Brasil, a frequência é igual a 60 Hz. A indutância mútua entre os dois circuitos é definida como o fluxo que surge em um circuito (nesse caso, representado pela linha) devido a corrente no outro circuito (dada em Ampère). Se a corrente I\(_1\) produz, no circuito 2, o fluxo concatenado 𝜳12, a indutância mútua será
M\(_{12}\) = M\(_{21}\) = \(\frac{{{\psi }_{12}}}{{{I}_{2}}}\)(H) (Equação 1.21)
Diferenciamos a representação entre indutâncias em próprias e mútuas. As primeiras são representadas pela letra L e a segunda pela letra M, ou em uma matriz representada pela letra Z, de impedância. Por conseguinte, as indutâncias próprias são representadas pelos números ii e as mútuas ij ou ji, sendo que ij significa a indutância mútua entre as linhas i e j. O contrário é representado pelo número ji.
Você já ouviu falar sobre fluxo concatenado em um condutor? Imagine um condutor infinito (com um dos circuitos em uma linha de transmissão trifásica) que percorre uma corrente através do campo elétrico. Você concorda que haverá um deslocamento da corrente que, por conseguinte, gerará uma diferença de potencial (tensão)? Pois bem, a indutância é a principal responsável por esse deslocamento.
Esse fluxo pode ser decomposto por dois componentes: um externo e outro interno. A força magnetomotriz (fmm), em Ampère-espira, ao longo de qualquer contorno, é dada pela Equação de Maxwell, que calcula a força na seção transversal do condutor e, em sequência, nos informa se essa força é igual a corrente que atravessa a área. Portanto:
fmm = \(\mathop{\oint }_{{}}^{{}}H~ds\) = I (Equação 1.22)
Onde:
Em termos de fluxo magnético, teremos o mesmo raciocínio, ou seja, a x metros do centro do condutor, a densidade de fluxo magnético, dada pela letra B no ponto x, poderá ser calculada pela fórmula.
B\(_x\) = 𝜇 H\(_x\) = \(\frac{\mu ~x~I}{2~\pi ~{{r}^{2}}}\)(Wb/m²) (Equação 1.23)
Onde: 𝜇 é a permeabilidade do condutor. No Sistema Internacional (SI), a permeabilidade do vácuo é 𝜇\(_0\) = 4 𝜋 x 10\(^{-7}\) H/m e a permeabilidade relativa é r = 𝜇 /𝜇\(_0\).
Os cálculos feitos se referem a uma unidade de comprimento do condutor, ou seja, as indutâncias também serão expressas em valores por unidades de comprimento.
Para uma permeabilidade relativa unitária, 𝜇 = 4 𝜋 x 10\(^{-7}\) H/m, teremos:
L\(_{\text{int}}\) = \(\frac{\mu ~}{8~\pi ~}\)= \(\frac{1}{2~}\)x 10\(^{-7}\) H/m (Equação 1.24)
Esse valor é a indutância, resultante do fluxo interno (para condutores cilíndricos) em unidade de comprimento.
A indutância é devida apenas no fluxo entre os pontos P\(_1\) e P\(_2\) (que representam as linhas 1 e 2, retratada pela Figura 1.10). Logo:
L\(_{12}\)= 2 x 10\(^{-7}\) ln \(\frac{{{D}_{2}}}{{{D}_{1}}}\) H/m (Equação 1.25).
#PraCegoVer: a imagem apresenta um condutor sendo percorrido por uma corrente I, fazendo surgir dois campos magnéticos distantes do condutor, P\(_1\) e P\(_2\), respectivamente. A distância de P\(_1\) é d\(_1\), e a distância de P\(_2\) é d\(_2\). As linhas de campo são superfícies ovaladas que envolvem o cabo. Essas superfícies são representadas pela letra B; a corrente, pela letra I; e a permeabilidade, pela letra 𝜇.
O valor da indutância dependerá das distâncias D\(_1\) e D\(_2\). Para evitar esse trabalho matemático, foi criado o conceito de raio reduzido de um condutor, ou seja, um condutor conduz a mesma corrente que o condutor original de raio R e, ao mesmo tempo, produz o mesmo fluxo concatenado. A indutância do circuito será devida à corrente no condutor 1, determinada pela equação (1.25). Sendo assim, substitui-se D2 pela distância D e D1 pelo raio r1, do condutor 1. Analisando o fluxo externo, temos:
L\(_{12}\)= 2 x 10\(^{-7}\) ln \(\frac{D}{r}\) H/m (Equação 1.26)
Como o fluxo interno é fixo, e dado pela equação (1.24), a indutância total do circuito será dada através da soma das equações (1.26) e (1.24).
L\(_1\)= \(\left( \frac{1}{2}+~2~ln~\frac{{{D}_{{}}}}{{{r}_{1}}} \right)\) x 10\(^{-7}\) H/m (Equação 1.27)
Resolvendo e simplificando a equação, temos:
L\(_1\)= 2 x 10\(^{-7}\) ln \(\frac{D}{r_{1}^{'}}\) H/m (Equação 1.28)
O raio \(r_{1}^{'}\) corresponde a um condutor fictício, sem fluxo interno, porém com a mesma indutância do condutor real, de raio r\(_1\). A constante 𝜀-¼ é igual a 0,7788. O mesmo raciocínio é válido para o circuito 2, que está atrasado em 180º (pois um circuito é retorno do outro). Outrossim, baseado na equação (1.28), a indutância da corrente no condutor 2 será dada por:
L\(_2\)= 2 x 10\(^{-7}\) ln \(\frac{D}{r_{2}^{'}}\) H/m (Equação 1.29)
Se somarmos L\(_1\) e L\(_2\), obteremos a indutância L deste circuito.
L = L\(_1\) + L\(_2\) = 4 x 10\(^{-7}\) ln \(\frac{D}{\sqrt{r_{1}^{'}~r_{2}^{'}}}\) H/m (Equação 1.30)
Adotando = \(r_{1}^{'}\)= \(r_{2}^{'}\) = r’, teremos:
L= 4 x 10\(^{-7}\) ln \(\frac{D}{{{r}'}}\) H/m (Equação 1.31)
A equação (1.31) calcula a indutância em uma linha de dois condutores, adotando-se um cabo como retorno do outro. Denominamos essa indutância como indutância por metro de linha ou indutância por milha de linha, para diferenciar da indutância de um circuito. A última, que é dada pela equação (1.28), vale a metade da indutância total de uma linha monofásica, também chamada de indutância por condutor. Deste modo, resolveu-se a indefinição matemática das distâncias D\(_1\) e D\(_2\) e o raio, intitulado raio reduzido de um condutor.
Vamos analisar, agora, o fluxo concatenado em linhas trifásicas. Mas, primeiramente, devemos lembrar que a soma das correntes em uma linha trifásica é igual a zero. Considerando os condutores 1, 2, 3, as correntes fasoriais I\(_1\), I\(_2\) e I\(_3\) e suas distâncias afastadas de um ponto P qualquer, adotado como referência, dada por D\(_{1P}\), D\(_{2P}\), D\(_{3P}\), determinaremos 𝜳\(_1\), como fluxo concatenado do condutor 1, através da equação:
𝜳\(_1\) = 2 x 10\(^{-7}\) \(\left( {{I}_{1}}~ln~\frac{1}{r_{1}^{'}}~+~{{I}_{2}}~ln~\frac{1}{{{D}_{12}}}~+~{{I}_{3}}~ln~\frac{1}{{{D}_{13}}}~+{{I}_{n}}~ln~\frac{1}{{{D}_{1n}}} \right)\) Wbe/m (Equação 1.32)
Stevenson, em seu livro “Elementos de Análise de Sistemas de Potência” nos recorda que:
O afastamento do ponto P a uma distância infinitamente grande do conjunto de condutores é equivalente à inclusão de todo o fluxo concatenado com o condutor 1. Se as correntes fossem alternadas, o fluxo concatenado instantâneo seria obtido através dos valores instantâneos das correntes e o fluxo concatenado na forma de fasores, com os raios representados pelos valores complexos das correntes (STEVENSON, 1986, p. 55).
Normalmente, são disponibilizadas as tabelas de valores de RMG (Raio Médio Geométrico) dos condutores encordoados. Nessas tabelas, podemos, também, encontrar valores que nos permitirão calcular a reatância indutiva e a capacitiva, além do novo valor de resistência CC, variando com a temperatura. Além do mais, as tabelas fornecem o valor da resistência CA como parâmetro. Entretanto, algumas tabelas utilizam as unidades em pés, polegadas e milhas. Por outro lado, outras utilizam quilômetros e metros. A reatância indutiva é muito mais utilizada que a indutância, pois temos que considerar a influência da frequência, e sua fórmula é dada por:
X\(_L\) = 2 𝜋 f L = 2 𝜋 f 2 x 10\(^{-7}\) \(~ln~\frac{{{D}_{m}}}{{{D}_{s}}}\)= 4 𝜋 f 10\(^{-7}\) \(~ln~\frac{{{D}_{m}}}{{{D}_{s}}}\) ou XL = 2,022 10-3 f\(~ln~\frac{{{D}_{m}}}{{{D}_{s}}}\) (Equação 1.33)
Onde: D\(_m\) é a distância média entre condutores e D\(_s\) é a distância dada pelo raio médio geométrico de cada condutor
As unidades de D\(_m\) e D\(_s\) devem ser as mesmas, normalmente metros ou pés. Desse modo, os valores do raio médio geométrico, chamado de RMG e fornecido através das tabelas dos fabricantes de cabos, podem ser considerados como os valores para D\(_s\) (já adequado ao efeito pelicular provocado pela corrente CA). O efeito pelicular vai alterar o valor da indutância, além de ser maior nas frequências mais altas, para qualquer diâmetro de condutor.
Os valores de D\(_s\), exemplificados no Quadro 1.2, são calculados para frequência de 60 Hz.
#PraCegoVer: a figura mostra o nome comercial do cabo Waxwing. A área de alumínio na unidade cmil é igual a 266.800. O número de fios de alumínio/aço é igual a 18/1. O número de camadas de alumínio é igual a 2. O diâmetro externo é igual a 0,609 polegadas. A resistência, em CC a 20 ºC M/1000 pés, é igual a 0,0646. A resistência, em CA a 60 Hz em Ω/mi a 20 ºC, é igual a 0,3488, e a 50 ºC, é igual a 0,3831. O RMG em Ds é igual a 0,0198 pés, e a reatância por condutor, 1 pé de espaçamento 60 Hz, para a reatância indutiva, é igual a 0,476 Ω/m, e de \(X_{a}^{'}\) , a capacitiva é igual a 0,1090 Ω/m.
A corrente no condutor neutro é igual a zero, pois I\(_a\) + I\(_a\) + I\(_c\) = 0. Isso nos permite utilizar as equações obtidas, até este momento, para linhas trifásicas, caso as linhas sejam simétricas e equilibradas. Podemos calcular o fluxo concatenado envolvendo uma linha de transmissão, representada pela fase através da equação (1.32). Para que isso ocorra, basta substituirmos os circuitos dados: 1, 2 e 3, pelas letras a, b e c — para nos referirmos às linhas de transmissão das fases A, B e C. Logo:
L\(_a\) = 2 x 10\(^{-7}\) I\(_a\) ln \(\frac{D}{{{D}_{s}}}\) H/m (Equação 1.34)
A equação (1.34) é análoga à equação (1.29), a única diferença é uma mudança feita em r’, substituído por D\(_s\). Linhas de transmissão são projetadas e construídas para preservarem sua simetria, pois os cabos utilizados na implantação das linhas têm o mesmo material, fazendo com que as linhas tenham os mesmos valores de parâmetros. Se adotássemos uma simplificação, considerando que a linha seja construída apenas com um condutor por fase, as indutâncias das fases A, B e C, de uma linha trifásica, poderiam ser calculadas pela equação (1.34).
O cálculo da indutância se torna mais difícil caso a linha de transmissão utilize um espaçamento diferente ou irregular entre os seus condutores. Esse espaçamento é, muitas vezes, denominado como assimétrico. Para essa topologia, os valores do fluxo concatenado e os valores da indutância de fase mútua são calculados de forma diferente. O circuito se torna desequilibrado porque cada fase apresenta um valor de indutância diferente. Para restaurarmos o equilíbrio, trocamos a posição entre as fases, com intervalos regulares que variam entre 200 m e 600 m — distância utilizada como referência para linhas longas. Esse rearranjo é chamado de transposição de fases e está representado na Figura 1.11. A transposição é uma maneira eficiente de obtermos novamente os mesmos valores de indutância para as fases A, B e C das linhas de transmissão.
#PraCegoVer: a imagem apresenta a transposição feita entre as linhas A, B e C. A cada distância, igual a ⅓ do comprimento da linha, ocorre uma troca entre as linhas A, que vai para a posição B, e, depois, para a posição C. Já a linha B ocupa a posição C, e, depois, a posição A. A linha C vai da posição A, e, depois, para a posição B. Assim, existe uma troca de posições de forma harmônica e constante entre as três linhas.
O valor médio da soma dos três fluxos concatenados com a é:
𝜳\(_a\) = \(\frac{{{\psi }_{a1}}~+~{{\psi }_{a2}}~+~~{{\psi }_{a3}}~}{3}\) = \(\frac{2~x~{{10}^{-7}}}{3}\left( 3~{{I}_{a}}~ln~\frac{1}{{{D}_{s}}}~+~{{I}_{b}}~ln~\frac{1}{{{D}_{12}}~{{D}_{23}}~{{D}_{31}}}~+~{{I}_{c}}~ln~\frac{1}{{{D}_{12}}~{{D}_{23}}~{{D}_{31}}}~ \right)\) Wbe/m (Equação 1.35)
O que resulta na indutância média das três fases, representadas por:
L\(_a\) = L\(_b\) = L\(_c\) = 2 x 10\(^{-7}\) ln \(\frac{{{D}_{eq}}}{{{D}_{s}}}\) H/m (Equação 1.36)
Onde:
Deq = \(\sqrt[3]{{{D}_{12}}~{{D}_{23}}~{{D}_{31}}}\) (Equação 1.37)
Sendo D\(_s\) o RMG do condutor.
Comparando as equações (1.36) e (1.34), verificamos que D\(_{\text{eq}}\), é a média geométrica dos valores das distâncias entre as três linhas, fato que pode ser comprovado devido à transposição dos cabos e das linhas.
Podemos notar um termo recorrente entre todas as equações. Esse termo é: 2 x 10\(^{-7}\), quando a indutância é dada em H/m. Stevenson afirma que:
O termo D\(_s\) é denominado RMG do condutor, ou seja, o Raio Médio Geométrico. O termo D\(_{\text{eq}}\) é o DMG, ou Distância Média Geométrica. Esses valores são retirados de uma linha imaginária de mesma característica simétrica e equilibrada, que fará a mesma função da linha assimétrica e desequilibrada, para que possamos ter mais facilidade com a matemática (STEVENSON, 1986, p. 63).
As linhas, em sua grande maioria, são representadas pela sua impedância (em Ω/km). A impedância é formada por um resistor em série através de um indutor, visto que esses dois parâmetros representam a maioria dos efeitos da perda de energia, que ocorre nos equipamentos de transmissão.
A indutância de uma linha pode ser separada em duas partes: indutância própria e indutância mútua. As indutâncias mútuas podem diferir uma das outras devido às distâncias entre os condutores, que não são iguais. A transposição de linhas é uma das soluções encontradas para resolver essa assimetria, logo, a indutância total da linha será a mesma para as três fases.
GÓMEZ-EXPÓSITO, A.; CONEJO, A. J.; CAÑIZARES, C. Sistemas de energia elétrica: análise e operação. Tradução de Antonio Padilha Feltrin, José Roberto Sanches Mantovani e Rubén Romero. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2015. p. 48-49.
Analise as afirmativas a seguir, baseado no excerto de texto acima e no conteúdo estudado no item 1.4:
I. Se o valor de raio de um condutor for igual a 1,52 cm e a distância do condutor para o cabo for igual a 6,4 m, o valor da indutância será igual a 3,34 mH/m.
II. A distância entre as linhas A - B é de 6,4 m. Já a distância entre as linhas B - C é igual a 7,6 m e a distância entre as linhas C - A é igual a 8,4 m. Logo, a distância entre essas linhas é igual a 7,42 m.
III. As correntes das fases B e C exercem influência sobre o campo magnético, associado ao condutor A. Essa influência é chamada de indutância mútua.
IV. A indutância própria de uma linha é o parâmetro mais utilizado para representarmos as linhas de transmissão no sistema elétrico de potência.
Está correto o que se afirma em:

Ano: 2016
Comentário: O filme retrata o difícil trabalho dos eletricistas, principalmente quando é necessário sair em tempestades para reparar o fornecimento de energia. O longa retrata o trabalho de reparo em linhas antigas no sistema americano antes da chegada de uma forte tempestade. Para conhecer mais sobre o filme, acesse o trailer.
Disponível em:

Autor: João Mamede Filho
Editora: LTC
Capítulo: 12 - Transformadores de Potência
Ano: 2019
ISBN: 978-85-216-3642-7
Comentário: O livro é um manual focado em equipamentos de alta tensão, abordando os materiais utilizados na fabricação de cada equipamento com explicações claras e detalhadas, incluindo diagramas esquemáticos e ilustrações sobre cada um dos materiais utilizados na fabricação dos equipamentos, que são submetidos a um ambiente de trabalho específico e rigoroso.
Disponível na Minha Biblioteca.
Caro(a) estudante, chegamos ao final do nosso estudo. Ao longo desse aprendizado, pudemos entender como é composta a matriz energética brasileira, além dos benefícios da conversão das grandezas elétricas para os valores pu.
Os valores pu são a maneira mais fácil de representar os transformadores do circuito formado pelo SEP, basta que utilizemos a sua tensão e a sua potência como valores de base e, por consequência, realizamos a troca das bases a cada transformador que encontrarmos no circuito. Além disso, conhecendo dois valores de base, podemos calcular os outros dois valores restantes.
Em seguida, estudamos a resistência elétrica CA e CC, característica intrínseca presente nos cabos elétricos e, mesmo o alumínio possuindo maior resistência na condução de energia em relação ao cobre, utilizamos esse elemento em razão do seu custo final, mais barato que o cobre. Logo, muitas linhas de transmissão e de distribuição são feitas de alumínio.
Finalmente, estudamos a indutância própria da linha, a mútua e os efeitos da perda de energia, graças às indutâncias mútuas. Por fim, aprendemos a calcular o valor da indutância para todos os principais tipos de linhas: monofásicas, trifásicas, simétricas e assimétricas.
A VIDA por um fio. [S. l.: s. n.], 2016. 1 vídeo (2 min.). Publicado pelo canal Telecine. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=F9DmzFRv1LA. Acesso em: 3 abr. 2022.
AULA 01-P3 – Representação de equipamentos em valores por unidade (pu). [S. l.: s. n.], 2021. 1 vídeo (11 min.). Publicado pelo canal Gesep. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vVhc_89onwk. Acesso em: 15 mar. 2022.
BOYLESTAD, R. L. Introdução à análise de circuitos. Tradução de Daniel Vieira e Jorge Ritter. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2012.
CASTRO, N. de et al. Panorama internacional das políticas de inovação do setor elétrico: estudo de caso de países selecionados. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA, 25., 2019, Belo Horizonte. Anais eletrônicos [...]. Belo Horizonte: [s. n.], 2019. Disponível em: https://bit.ly/3EaA6ST. Acesso em: 26 mar. 2022.
EPE - EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Matriz energética e elétrica. EPE, [c2021]. Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz-energetica-e-eletrica. Acesso em: 15 mar. 2022.
GÓMEZ-EXPÓSITO, A.; CONEJO, A. J.; CAÑIZARES, C. Sistemas de energia elétrica: análise e operação. Tradução de Antonio Padilha Feltrin, José Roberto Sanches Mantovani e Rubén Romero. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2015.
INÍCIO. Nexans, [c2021]. Disponível em: https://www.nexans.com.br/.rest/catalog/v1/product/pdf/ID599079. Acesso em: 03 abr. 2022.
MAMEDE FILHO, J. Manual de equipamentos elétricos. Rio de Janeiro: Editora LTC, 2019. (Disponível na Minha Biblioteca).
MOHAN, N. Sistemas elétricos de potência. Tradução de Walter Denis Cruz Sanchez. Rio de Janeiro: LTC, 2016. (Disponível na Minha Biblioteca).
PINTO, M. O. Energia elétrica: geração, transmissão e sistemas interligados. Rio de Janeiro: LTC, 2018. (Disponível na Minha Biblioteca).
ROBBA, E. et al. Introdução aos sistemas elétricos de potência: componentes simétricos. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Blucher, 2000. (Disponível na Minha Biblioteca).
STEVENSON J. W. D. Elementos de análise de sistemas de potência. 2. ed. Tradução de Arlindo Rodrigues Mayer, João Paulo Minussi e Somchai Ansuj. São Paulo: McGraw-Hill, 1986.
ZANETTA J.; LUIZ, C. Fundamentos de sistemas elétricos de potência. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2005.